Terça - 16/11/2010

Tanlines

Entrada $30 (na porta)
Porta 22h / Show 0h

Diretamente do caldeirão cultural que se tornou o Brooklin nos últimos anos vem o Tanlines. Formado por Jesse Cohen (do projeto Professor Murder) e Eric Emm, que já tocou em bandas de rock experimental como Storm and Stress e Don Caballero, o Tanlines existe há 2 anos e tem uma discografia extremamente enxuta. O projeto lançou apenas 2 remixes e 2 EPs, que no entanto já causaram comoção o suficiente para chamar a atenção do mundo todo.

A princípio, o Tanlines soa como o filho bastardo do Vampire Weekend com o Delorean. De fato, o som de Jesse e Eric fica entre esses dois mundos: o trabalho cuidadoso da guitarra estralada que remete aos grandes artistas pop da Mãe África envolto em uma produção eletrônica com timbres ingênuos. Se for para traçarmos comparações com o passado, o Tanlines é muito mais Paul Simmon quando descobriu o batuque do que David Byrne (como alguns conterrâneos do Brooklin), ou seja, beira o cafona mas acerta no cult.

Após algumas audições, o som do Tanlines se desdobra nos ouvidos em um trabalho meticuloso. A produção cristalina deixa bastante espaço entre os elementos das canções. Cada linha de percussão tem o seu devido momento de brilhar. Toda linha percursiva tem também um componente melódico. As faixas evoluem de forma fácil. Kalimbas e marimbas se misturam a pads atmosféricos e linhas sintéticas, em andamentos peculiares e padrões geométricos.

É fácil se perder na tranquilidade e não-abrasividade do som do Tanlines. Como o próprio nome da banda sugere, é o tipo de som para dias ensolarados. É uma mistura de bom humor, romantismo e escapismo. Uma ode a um outro tipo de vida. O bom humor da banda fica fácil de perceber quando os próprios acabaram de lançar uma versão comemorativa da sua música mais conhecida, "Real Life", para a Copa do Mundo, adicionando o distinto som das vuvuzelas (Sim! Elas estão invadindo o mundo da música! Corram para as montanhas!).

Em tempos de re-descoberta do velhíssimo continente, o ocidente se maravilha com os ritmos e com a qualidade quente e única do som africano. Alguns podem discutir que a assimilação dessas influências por parte de projetos com o Tanlines são reduções um pouco grosseiras de um universo muito grande de poliritmos e harmonias complexas. Mas se o pop ao redor do mundo puder ao menos chupinhar um pouco da alegria e energia radiante de Fela Kutis, Miriam Makebas, Farka Tourés e outros artistas africanos, o mundo da música vai ficando um pouco mais feliz.

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