
As músicas do Seychelles são um tanto diferentes de canções comuns: elas têm cor. Nananenen é como uma grande nuvem cinza, uma tempestade que se prepara para chover em cima de uma cidade enorme, barulhenta e cheia de pessoas e luzes. Uma cidade chamada São Paulo.
O quarteto paulistano consegue, neste segundo trabalho, criar uma espécie de crônica musical urbana, aliando elementos sonoros eletrônicos (barulhinhos de computador estão por todo o disco) a um conceito estético que brinca com discrepâncias. O nome e o encarte do álbum lidam com o universo infantil, dos contos de fadas, entretanto, as faixas estão repletas de referências adultas e da crueza do rock feito na metrópole.

Por trás dessa coloração de cimento e argamassa, flui um inteligente humor, afiado e crítico, retrato do comportamento de uma geração ansiosa e cosmopolita, que confronta extremos: bem X mal, integridade X degradação, politização X alienação.
Produzido novamente por Fabio Pinczowski (responsável também pela produção de álbuns do Ludov e Mamma Cadela), e gravado entre abril e dezembro de 2007, o disco traz detalhes que o ouvinte mais atento entenderá como uma linha narrativa única, do começo ao fim, onde todas as músicas se entrelaçam.
Entre tantos sucessos fáceis e fórmulas repetidas, topar com o trabalho dos Seychelles é como achar um tesouro escondido em uma rua de curvas sinuosas, enquanto a fina garoa cai.


